A HIPNOSE É UM fenômeno real

Daqui em diante o outro come cebola achando que é maçã, masca alho pensando ser chiclete, imita galinha, fica mudo e até deixa que lhe atravessem agulhas no pescoço. Essa é uma visão bem popular do misterioso evento da hipnose. Crença, magia, teatro ou ciência? Qual será a visão de um médico neurologista (que conhece os mistérios do nosso cérebro) perante tudo isso? Perguntamos ao Dr.Leandro neurologista formado pela Universidade de São Paulo, a visão dele sobre alguns aspectos centrais do processo de hipnose (lembrando que não há conflito de interesse uma vez que o profissional não trabalha com hipnose).
Você acredita em hipnose ou acha que é tudo teatro? A hipnose é um fenômeno real e quantificável . É possível sim, em alguns momentos, pessoas HIPNOTIZADA apresentarem percepção sensorial e vivencias alternativas motivadas pela sugestão de um hipnotizador.
Durante a hipnose a pessoa imagina as coisas ou ela realmente sente realmente o que é proposto? Essa é uma dúvida milenar. Os estudos mais recentes relacionados à investigação das áreas cerebrais ativadas durante a hipnose mostram que, ocorre ativação de regiões da percepção e não da criação. Isso sugere que o processo lembre mais alucinações perceptivas do que imaginação. Durante o transe, o hipnotizador conquista um canal de atenção sustentada e o hipnotizado abole ou altera algumas entradas sensoriais, tudo em prol da vivência proposta pela sessão.
É possível usar a hipnose para acessar melhor as memórias? A maioria dos estudos mostra que sim. Pessoas em transe hipnótico tem um acesso mais amplo e detalhado a algumas recordações episódicas. Isso inclusive já foi usado em depoimentos policiais pela tentar esclarecer a cena do crime hipnotizando as testemunhas.
Existe risco de plantar “falsas memórias” durante uma hipnose mal feita? Sim, esse risco existe e é preocupante. Em momentos de transe com atividade de “regressão temporal”  a condução inadequada pode levar falsas interpretações do passado e deixa-las com aquela sensação de familiaridade típica das lembranças. É um mecanismo complexo que separa a nossa interpretação do que é lembrança e do que imaginamos, durante uma hipnose mal conduzida uma vivencia imaginativa (na medida em que não ocorreu) pode ser “plantada” como vivencia real. Nem preciso dizer a quantidades de problema que uma falsa memória pode trazer.
Você acredita em regressão  para vidas passadas pela hipnose? A existência de vidas passadas é uma questão de cunho religioso e não cabe a mim julgar sua existência. Agora, do ponto de vista estritamente científico o acesso a esse tipo de recordação não é até o momento comprovado. A nossa capacidade de recordação episódica consciente toma corpo a partir de 4 anos de idade, podemos até fixar relances de memória antes desse ponto, mas sem recordação clara e estruturada. Como a questão de vidas passadas é praticamente impossível de ser testada (uma vez que a distinção entre sugestão e vivência fica, neste caso, impossível) a prática ganha sempre muitos adeptos. Mas definitivamente é muito mais uma questão de fé do que de ciência.
Qualquer um pode ser hipnotizado?Existem pessoas mais e menos hipnotizáveis. Além disso, as pessoas precisam “querer”, de alguma forma (mesmo que não conscientemente), ser hipnotizadas. Outro mito é achar que as pessoas ficam completamente na mão do hipnotizador, que cometeriam crimes ou fariam qualquer coisa no estado de transe. Na verdade, a crítica continua agindo em algum grau e geralmente interrompe o processo quando algo proposto fere os princípios éticos e morais do paciente. Ainda nesse quesito, muitos acham que, caso o hipnotizador passe mal, fuja ou mesmo morra durante o transe, o paciente possa ficar preso na hipnose. Isso não acontece, cessado o estímulo por alguns minutos, o paciente sai do transe geralmente para o sono normal e acorda bem.
Quais as utilidades atuais da hipnose? A hipnose pode ser usada com finalidade terapêutica para pacientes com dor crônica, anestesias breves, ansiedade, depressão, alcoolismo, tabagismo e mesmo outros abusos. Seu uso também é eficaz na investigação de crises de origem psíquica que mimetizam doenças como a epilepsia (uma vez que é possível desencadear uma crise e separar as patologias). Fora do âmbito médico o transe hipnótico é usado em shows de entretenimento e mesmo como vivências regressivas de cunho religioso ou não. Seja como for seu uso só é recomendado com a participação de profissionais habilitados, éticos e sob o consentimento esclarecido do paciente.

Neurologista Leandro Teles

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