FILHOS DO SÉCULO 20= PRIMO RICO E PRIMO POBRE


Filhos do século 20
queremos entender a opressão
pois o poder está em todos os lugares
e até que um contrapoder o neutralize
o poder oprime 
desejava emancipar gente, torná-la mais livre
descobriu que o oprimido internalizava a imagem do opressor
uma coisa desconcertante
pois o que se há de fazer para desinternalizar o inimigo?
o que há de se fazer para secar esse amor 'doentio' de identificação?
então seria essa identificação com o opressor um mecanismo de sobrevivência
como tantas vezes encontramos em pessoas que foram seqüestradas?
e é para sobreviver que a menina amandinha brinca com sua boneca loura
sendo ela morena queimada de cabelos crespos e meio claros, bem bonita,
mas será que sabe disso? será que vai se ver assim?
o freud da 'psicologia de grupo' se faz presente na praxis libertadora de freire
na medida em que estuda os grupos como estruturas de amor, de libido
estar amando significa retirar libido do ego na direção do objeto
a hipnose também, mas coloca o ideal do ego no lugar do objeto - e obedece
a formação de grupo multiplica esse processo na direção do líder (opressor?)
e ainda acrescenta a identificação com os outros membros do grupo
roteiro de deglutição da imagem desse líder, seu aninhamento no ideal do eu
a arma mais poderosa do opressor sendo a mente do oprimido (steve biko)
ora, no modelo tradicional de resistência tratava-se de conscientizar os oprimidos
e logo eles estariam fazendo a crítica da burguesia e da opressão
mas ter que lidar com o opressor idealizado que reside lá dentro (como ideal)
é um choque e tanto, e então nesse caso a conduta será necessariamente outra
mas digam-me, exatamente qual?
para entender essas estruturas de libido que são os grupos
freud acaba fazendo referência ao pai da horda primeva, o líder absoluto:
enquanto os membros do grupo estavam sujeitos a vínculos o pai-líder era livre, com atos fortes e independentes sua vontade não necessitava do reforço de outros e só amava a si próprio
ou a outras pessoas na medida em que atendiam às suas necessidades
natureza dominadora, absolutamente narcisista, autoconfiante e independente
hoje em dia isso aí mais parece uma descrição da natureza das celebridades
a celebridade como figura que organiza o fluxo libidinal nas comunidades
todos os líderes - políticos, cientistas, esportistas religiosos - virando isso
e o paralelo surge naturalmente:
é da opressão da fama que deveríamos estar falando?
da dor tão difundida de não ter notoriedade - 'media disease'
'ainda bem que a meningite atingiu alguém com notoriedade,
pois a atenção ao caso vai ajudar os desfavorecidos',
disse ivete já totalmente recuperada (2) (graças aos céus)
- portanto, em sua teoria social bastante pragmática, a opressão é ser anônimo
estamos dessa forma no reduto da trama bem tecida pelo capitalismo tardio
capitalismo do imaginário, esse de agora
e quem não ama alguma celebridade (viva ou morta) fale agora...
o fato é que essa espécie de amor 'organiza' a sociedade
especialmente por geralmente produzir riqueza, mas também obediência
colocados no lugar do 'ideal do eu' as celebridades são emblemas de liderança
e resquícios do pai primevo - que coisa estranha!
e talvez assim compensem a liquefação geral dos emblemas dessa figura -
o mesmo das famílias patriarcais, que está em todos os édipos e electras,
e em todas as narrativas de heróis, portanto, basicamente em cada final feliz
sobrevive como empurrão dos filhos na direção de uma identificação redentora?
e é o seu valor como regulador da sexualidade que tanto se discute hoje...
isso porque ninguém sabe, afinal,
se o sádico oprime o masoquista ou simplesmente o revela, e liberta?

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